Foi-se o tempo em que a ciência era a única a dar uma resposta satisfatória. Em séculos de reinado, a ciência não produziu uma única resposta que não fosse puramente tecnológica ou menos mística que qualquer religião. O século aclamado como livre da religião, para desconsolo dos céticos, trouxe de volta o misticismo, o reencontro espiritual e o terrorismo religioso dos monoteísmos sob a máscara do estado laico ou sob a ortodoxia dos fundamentalismos. O olhar místico deveria nos unificar, mas nos mantém separados por tribos, nações e organizações religiosas lutando por supremacia. Saltamos da religião medieval para a ciência pura. Extasiados produzimos misérias, massacres, genocídios e bombas atômicas. Os experimentos nazistas e soviéticos provaram-nos que a soberba dos cientificismos nos leva a estados mais brutais e aterrorizantes que a religião pura. O excesso da velha religiosidade foi substituído pelo exagero do cientificamente novo.

A proposta ideológica era de revolucionar o mundo com fascismo, capitalismo, nazismo e comunismo para inviabilizar e substituir o mundo imerso no místico. A ilusão de uma ordem mundial de felicidade ao alcance da humanidade! Embora fossem visões astutas fundamentadas na estrutura primária do mundo, por dogmatismo conservador, alijou a espiritualidade humana e reduziu a realidade a uma sucessão de leis físicas, sociais e econômicas impostas pelo egoísmo incurável das soluções humanas. Uma tentativa de produzir uma doutrina definitiva para colocar de lado a espiritualidade, trocar a fé no sobrenatural por uma fé cientificista. As soluções humanas com amargo ciúme das religiões enfrentaram as urgências do poder, com um orgulho idiota, insistiu na lógica humana, sem olhar para as necessidades ligadas irremediavelmente ao sobrenatural. Criaram-se novas instituições geridas pela racionalidade (soberba humana) e relegou o espiritual ao nível do mitológico, do infantil e do estúpido.

Devido essa subordinação do desenvolvimento mental humano a uma realidade totalmente dominada por energias mensuráveis obriga até mesmo os bem-intencionados a se submeterem a necessidade incontrolável de consumir e os tornam profetas defensores do nosso “modo de vida”. A verdade é que o iluminismo humano ambiciona liderar a humanidade, derrubar a religiosidade e alcançar a bem-aventurança de um reino milenar.

Mas esse reino milenar foi obscurecido por fornos crematórios, salas de torturas, bombardeiros supersônicos, Napalm e toneladas de explosivos despejadas do céu. Adormecidos nos silos nucleares, mísseis eretos ameaçam à santidade dos lares e evocam para as respectivas civilizações o direito à colonização. À medida que o capitalismo se sagra vencedor empurra milhões de vidas para uma espiral de violência, mutilações, drogas e mortes hediondas, enquanto maquia a realidade pela propaganda da abundância, da prosperidade e das oportunidades inimagináveis e conduz a humanidade ao beco sem saída do consumo insustentável. Profeticamente: nas asas da abominação virá a desolação.

Ainda não se tem a real dimensão das catástrofes da vida guiada unicamente pela inteligência humana. Maestros regendo a realidade fria desse mundo se veem obrigados a improvisações urgentes, talvez nos conduzindo para um ponto sem retorno, a uma tragédia sem precedentes: ao aquecimento global. Ovelhas mudas levadas ao matadouro!

O aquecimento global nos levará irremediavelmente ao colapso. As pessoas inteligentes têm chegado à conclusão de que a sociedade humana se tornou um sistema econômico indivisível com potencialidades novas e enormes de bem-estar, mas que acarretará a destruição da vida na terra. O desmonte das doutrinas políticas totalitárias, per si, não é a alternativa ao desastre.

As concepções religiosas atreladas irremediavelmente ao iluminismo humano, que têm satisfeito até mesmo as personalidades mais vigorosas e inteligentes, são naturalmente parciais, sectárias e limitadas. Inculcou nos homens a ideia de que, sob seu báculo, se pode alcançar o inatingível e modificar os decretos inexoráveis dos deuses. Infelizmente, a humanidade não tem acesso a esse destino impiedoso. Embora brilhe sob as imaginações vivas de nossa raça como absurdamente perto, está fantasticamente fora de alcance.

Durante séculos a confusão e desordem, que as religiões espalharam não foram capazes de liberar a potencialidade da espiritualidade humana. São gerações perdidas que sofreram à meia-luz das revelações. Olhando para trás, para os patriarcas das religiões, os primeiros a tentarem a sistematizar a espiritualidade sob a forma de ideias reveladas, estavam na verdade se precavendo da astuta inteligência humana. Justiça seja feita, intentaram contramedidas para anular o efeito da ignorância, do preconceito e do comportamento de manada recorrente das tribos humanas. Lutaram contra a propensão natural à dissimulação, à inveja e à mentira agindo diretamente em suas almas. Não era um conflito da luz contra as trevas, era uma batalha de cegos.

Os profetas de outrora não estavam preparados ou assombrados por nosso mundo civilizado. Tinham uma concepção idílica das possibilidades, muitas vezes surpreendentemente presciente e explicitamente assustadora. Suas concepções desembocaram em sistemas religiosos fantasiados de verdades universais. No entanto, se reduziram a visões individualistas. Piedosamente colocaram sua confiança em um (ou em mais de um) deus pessoal, irascível, orgulhoso, vingativo e centralizador, saturado na preguiça irresponsável de seus confiantes seguidores. A esperança não era um estimulante, mas um opiáceo.

Precisamos compreender o quão inconsistente são essas aparências esperançosas. As grandes invenções, os postulados científicos trazidos à luz, que por um momento ofuscou a religião e depois se fundiu a ela, por conta do intelectualismo dedutivo, aumentou o poder e o alcance operacional da malignidade humana: o ceticismo ferrenho. Sem culpa dos profetas, dos inventores e dos pesquisadores as novas oportunidades criaram o mal. Estava fora do alcance deles saberem. Cada um trabalhou em seu próprio campo, mas foram responsáveis pela irregularidade fragmentária de suas descobertas.

A humanidade não pode criar novas instituições, novas relações sociais e políticas, enquanto destrói as velhas concepções de mundo. É um trabalho a ser feito em conjunto, pois é difícil e lento. É uma questão não de expulsar, mas de reconstruir. O velho deve ser convertido para o novo sem ser totalmente interrompido. Assim, nesse emaranhado de histórias, tornar conscientes que outra história desenrola, pari passu, ao materialismo histórico. Há completa confluência de destinos entre a materialidade e a espiritualidade. Nessa época de inquietação mental, de crenças forçadas, hipocrisia, cinismo, abandono e impaciência, não se pode perder de vista a humildade da verdade, de que a relação do homem com o divino passa necessariamente pela via pessoal, pela privacidade da comunhão entre o Deus e o humano. Pessoas de todos os credos e as que não têm credo algum têm os mesmos tipos de experiências espirituais, o que evidencia o princípio mais profundo em funcionamento: espiritualidade e não religiosidade.

E antes de encerrarmos, afirmamos insistentemente que considere essa uma obra ficcional, sem pretensão de ser ciência, sem desejo de ser religião. Deixe o sopro de Deus (Ruach) conduzir seu espírito ao começo da caminhada. Permita que o “no princípio” (Bereshit) resgate a sua alma das mãos manipuladoras das religiões, dos achados científicos e, principalmente, do ceticismo ferrenho. Pretende-se aqui, dar-te um Protocolo Anjo, para humildemente te conduzir ao caminho da espiritualidade verdadeira, ao destino de nossa raça humana: despertar o mensageiro celestial que há em cada um.